sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Inflexão vocálica das formas da 3PS dos perfeitos fortes

Muitos perfeitos fortes portugueses têm uma vogal rizotónica diferente na 3PP a respeito do resto do paradigma. Estes são os casos mais comuns:
  • pôr> pus / pôs
  • fazer > fiz /fez
  • poder > pude / pôde
  • estar > estive / esteve
  • ter > tive / teve
Este fenómeno da inflexão vocálica não se dá na maioria do galego, mas sim em certos falares, como o eonaviego. É assim que achamos que se pode recolher numa norma portuguesa do galego, mas mantendo a vogal final -o em vez de -e ou a ausência da vogal:
  • pôr> pusem / pôso
  • fazer > fizem /fezo
  • poder > pudem / pôdo
  • estar > estivem / estevo
  • ter > tivem / tevo
A vogal final -o se encontra em todos os casos em galego. Assim, dá-se o contraste entre galego e português:
  • houve ↔ houvo
  • teve ↔ tevo
  • fez ↔ fezo
  • trouxe ↔ trouxo
  • disse ↔ dixo
  • pôs ↔ pôso
  • quis ↔ quiso





sábado, 31 de outubro de 2015

Da desinência -ste'

Em português utiliza-se a desinência -ste para a 2PS do pretérito em todos os casos. Assim, temos:
  • falar > tu falaste
  • comer > tu comeste
  • partir > tu partiste
Essa mesma dessinência /st/ passa para /tš/ em galego na maioria do território, mas entendemos que se pode manter a forma ortográfica portuguesa com a pronúncia própria do galego:

Da desinência -em

Os pretéritos fortes na 1PS em portugalego presentam divergências quando se trata de galego e português. Em português as formas não acabam em vogal nasal e amiúde até perdem o -e final:
  • pôr > pus
  • dizer > disse
  • fazer > fiz
  • ter > tive
  • querer > quis
Em galego, porém, em todos estes casos a vogal final é nasal. A nossa proposta é utilizarmos a forma comum em galego para este caso para marcar a dita nasalidade. Por tanto, os casos anteriores ficariam assim:
  • pôr > pusem
  • dizer > dixem
  • fazer > fizem
  • ter > tivem
  • querer > quisem

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Contrações de 'para' e 'com'

Na língua falada, estas duas preposições contraem quando se encontram com o artigo definido no caso de para, e com ambos os artigos no caso de com.

Na escrita portuguesa não se utilizam formas contratas, embora no caso de para, muito frequentemente pronunciado /pra/ ou /pa/ em todo o portugalego, sim se fai uma autêntica contração que até dá lugar a uma vogal mais aberta: para o /prɔ/, para a /prα/.

Quanto a com, é comum em galego que se contraia com todos os artigos, formas que recolhe a norma ILG, mas que não se pode espalhar numa norma portuguesa, mantendo-se sempre a preposição e o artigo separados:



o
a
um
uma
PT-G
com
com o
com a
com um
com uma
GL-ILG
 con
co
coa
cun
cunha

As formas do ILG respondem à pronúncia real, mas na escrita não se espalham, como tampouco não se espalham prò, prà, salvo em contextos muito informais, caso se queira refletir a fala.

sábado, 16 de maio de 2015

De 'traguer' e 'trair'

O português distingue perfeitamente entre trazer (=levar na direção do falante) e trair (=causar traição). Esta distinção, no galego ILG estabelece-se como traer e traizoar respectivamente. 

Como se vê, o galego ILG sempre promove as soluções mais afastadas do português, embora isso suponha achegar-se do castelhano. 

Porém, é falso que o galego só conheça traer. De facto, existe uma forma muito enxevre que está registada nos dicionários galegos e que para nós é a forma perfeita: traguer (vejam-se aqui referências lexicográficas). 

Desta maneira, a equivalência entre o português da Galiza e o português de Portugal quanto a estes dous verbos ficaria assim:

PT-P
PT-G
GL-ILG
trazer
traguer
traer
trair
trair
traizoar

Dativo «che»

É bem sabido que o galego, à diferença do português, distingue entre o acusativo te e o dativo che. Tal diferenciação é um dos traços fundamentais do galego (apenas distinguem dativo e acusativo na segunda pessoa algumas variedades do asturiano oriental e o romeno). Este che é aliás usado para o dativo de solidariedade, outro fenómeno exclusivamente galego sem equivalência em português.

Achamos que tal diferença não pode ser ignorada num galego reintegrado e que se adapte à ortografia portuguesa. Um galego escrito com a ortografia internacional tem que manter este traço de seu a todos os níveis porque é parte da sua essência. Eis uns exemplos, incluíndo formas contraídas:
  • Digo-tche sempre a verdade
  • Não che dixem nada por medo
  • Ele não cho roubou 
  • Ele roubou-cho 
  • É-che assim de simples (dativo de solidariedade)

quarta-feira, 15 de abril de 2015

De 'sou', 'são' e 'som'

Estas três palavras causam bastante confusão polas divergências entre grafia e pronúncia:

1) SÃO:
  • (1) Deriva de SUNT e é a 3PP do verbo ser em presente de indicativo: eles/as são. Neste caso pronuncia-se /'soη/
  • (2) Deriva de SANUS e a sua pronúncia é /'saη/. O seu feminino é .
  • (3) É a forma abreviada de santo e a sua pronúncia é também /'saη/. O seu feminino é santa.

2) SOU
  • É a 1PS do verbo ser em presente de indicativo, pronunciada /'soη/ em boa parte do território galego, mas existe também a pronúncia /'sow/ que é comum a estou, dou, vou. 

3) SOM
  • É forma emparentada com sonido e a sua pronúncia é /'soη/, em plural sons.

Quadro resumo:

são (1)
/'soη/
são (2) (3)
/'saη/
sou
/'sow/ ~ /'soη/
som
/'soη/